Anjo sem asa
Anjos sem asas são assim. Eles chegam de mansinho,
Como quem não quer nada, vao tomando seu lugar.
Piscando lentamente, amassando pãozinho,
Logo seu tempo já não te pertence, muito menos o seu sofá
Não, eu não vou ficar com esse gato, diz a humana.
Tá… talvez um dia. Ou dois… Uma semana!
Mas primeiro ronronar derruba qualquer argumento
E quando a gente percebe, já é todo sentimento.
O primeiro pulo e lá se vai o enfeite do armário!
Eu não queria! Mas caí no golpe do lar temporário!
Mas ah, é só um gatinho!
Olha que posição mais fofa… olha como dorme bonitinho
Vou até pegar um irmãozinho para ele não se sentir só!
Aí o golpe se completa, a facção fofura ataca sem dó!
Eles roubam sono, invadem os pensamentos,
E arrancam risos quando vemos, sem segredo
Que qualquer elástico de cabelo pode virar brinquedo.
Feliz de quem foi adotado por um desses seres!
Eles querem comida e água fresca, mas colo quente
Massagem relaxante e carinho, mas no tempo deles!
Mas às vezes quem precisa desse colo é a gente!
E eles estão lá, como anjos sem asa
Fazendo graça, enchendo a casa de alegria.
Trazendo uma canção em cada ronronar.
Regulando o caos nosso de cada dia!
Lar temporário? Só se for pelo tempo em que a gente respirar!